Homenagem e emoção na 2ª edição do "Maio Furta-Cor"

Últimas atualizações sobre os acontecimentos do nosso município.

13 de maio de 2026

Imagem de capa da Notícia

A Câmara Municipal de Jarinu realizou, na tarde de terça-feira (12), mais uma edição do evento “Maio Furta-Cor”, voltado à conscientização sobre a saúde mental materna. A cerimônia reuniu autoridades municipais, profissionais da saúde, representantes da assistência social, mães homenageadas e moradores da cidade em uma tarde marcada por relatos emocionados, defesa de políticas públicas e discussões sobre acolhimento às mulheres durante a gestação, o puerpério e a maternidade. 
A campanha Maio Furta-Cor integra o calendário oficial do município desde a aprovação da Lei Municipal nº 2.400/2025, de autoria dos vereadores Carvalho JC e Renan Matias, com apoio do presidente da Câmara, Rogério Sapão e demais vereadores. Na abertura da cerimônia, os organizadores destacaram que a proposta busca ampliar o debate sobre saúde mental materna e combater o silêncio em torno do sofrimento emocional enfrentado por muitas mulheres durante a maternidade. 
A Mesa de Honra foi composta pelo representante o Hospital Israelita St. James, Tom Castro, do secretário municipal de Saúde, Mirailton Moreira Gomes, da secretária-adjunta de Assistência e Desenvolvimento Social, Daniela Fonseca,. 
Um dos discursos mais emocionados da tarde foi feito pelo vereador Carvalho JC, que relacionou a criação do projeto à própria história familiar. Filho de uma mulher que enfrentou problemas psiquiátricos enquanto criava sete filhos praticamente sozinha, ele relatou as dificuldades vividas na infância e afirmou que o tema não pode ser tratado como algo comum. “Quando se fala de mãe, tem que deixar a política de lado. Tem que abrir o coração e entender que existe uma história ali”, declarou. 
O vereador Renan Matias reforçou a necessidade de acolhimento às mães e afirmou que o projeto nasceu para lembrar que “nenhuma mãe deve caminhar sozinha”. Em discurso emocionado, ele também falou sobre a experiência da paternidade após o nascimento da filha Lívia. 
A prefeita de Jarinu, Débora Prado, compartilhou um relato pessoal sobre a própria experiência com depressão pós-parto. Psicóloga de formação, ela contou que sofreu com um quadro de “baby blues” após o nascimento do filho Benjamin e que só percebeu a gravidade da situação meses depois, ao retornar ao trabalho. “Eu passei oito meses sofrendo de depressão e não reconhecia o que estava acontecendo comigo”, afirmou. 
Durante sua fala, a prefeita defendeu políticas públicas voltadas à primeira infância e ao cuidado com os cuidadores. Citou a ampliação da licença-paternidade para servidores municipais, a criação do programa “Comecinho de Vida” e o Plano Municipal da Primeira Infância. “Não basta cuidar apenas das crianças. É preciso cuidar de quem cuida”, afirmou.
As palestras técnicas ficaram a cargo da psicanalista Mariana Ferraz, da enfermeira Beatriz Alessandra e da médica da família Aline Travascio Manias. Mariana abordou o esgotamento materno e alertou para o risco da perda da identidade feminina diante da sobrecarga cotidiana. “Depois que viramos mães, muitas vezes vivemos mais para os filhos do que para nós mesmas”, disse. 
Beatriz Alessandra apresentou dados sobre depressão pós-parto e citou estudos que apontam que uma em cada cinco mulheres brasileiras enfrenta o problema. Ela destacou a importância do acolhimento humanizado e da escuta qualificada. “Às vezes ela não quer só uma receita. Ela quer ser ouvida”, afirmou. 
Já a médica Aline ressaltou que saúde mental materna não pode ser discutida sem considerar questões sociais, econômicas e familiares. Ela falou sobre violência doméstica, ausência de rede de apoio e vulnerabilidade financeira como fatores que contribuem para o adoecimento emocional das mães. “Quando cuidamos da mãe e do contexto dela, estamos cuidando da família inteira”, afirmou. 
Um dos momentos centrais da cerimônia foi a homenagem às mães indicadas pelos vereadores: Laí Bianca da Silva Barbosa, indicada pelo vereador Edson Negão; Naara Amanda Cerejo de Azevedo, indicada por Zé Maria; Maria do Carmo Cabreira Morais, indicada por Raimundo Queijo; Erivan Mota de Lima, homenageada por Galego Motos; e Solange Aparecida Peixoto, indicada por Chiquinho Lavacar, além das homenagens à presidente do Fundo Social de solidariedade, Diva Aparecida Soranz, à secretária-adjunta Daniela Fonseca e às mães servidoras da Câmara Municipal. 
Em uma das falas mais emocionantes do encerramento, a professora Érica Silveira Lorencini Batistel, homenageada pelo presidente Rogério Sapão, relatou as dificuldades enfrentadas na maternidade atípica e afirmou ter vivido episódios de puerpério e sofrimento emocional após anos tentando engravidar.
Ao final do encontro, os organizadores destacaram que o Maio Furta-Cor busca reforçar a ideia de que nenhuma mãe deve enfrentar seus desafios sozinha. O encerramento contou com entrega de rosas às participantes, coffee break e sorteio de brindes oferecidos por apoiadores do evento.

Imagem da Notícia